App criado em Divinópolis/MG ensina descarte correto de materiais tóxicos

Três estudantes de Divinópolis desenvolveram um aplicativo que promove o descarte correto de pilhas, baterias e materiais infecto cortantes. A ideia surgiu em 2016, quando os alunos do 3º ano do ensino médio na Escola Estadual Ilídio da Costa Pereira se sentiram inspirados pelo que aprendiam nas aulas de ecologia. Com base em imagens de satélite, a tecnologia mostra locais que têm postos de coleta e dá dicas de como preservar o meio ambiente. A iniciativa logo rendeu ao trio o primeiro lugar na feira de ciências da instituição. Feito que se repetiu meses depois, em uma universidade federal. Neste ano a tecnologia foi apresentada em um evento nacional. Os desenvolvedores captaram recursos e viajaram nesta quarta-feira (19) ao Equador para apresentar a criação por lá.

O “EcoApp” foi criado pelos estudantes Fernando Gontijo Resende Souza, Patrícia Fernanda Teixeira Reis e Karla Leandro Guimarães. Os três têm 18 anos. Eles foram orientados pelos professores Elrison Ferreira dos Santos e Eliane dos Santos Ferreira, que acompanham os pupilos nos eventos relacionados ao aplicativo.

“Durante as aulas sobre ecologia nós aprendemos sobre o impacto ambiental que o descarte incorreto de materiais causa no meio ambiente e resolvemos fazer algo que pudesse mudar ao menos um pouco essa realidade, fazendo com que as pessoas passassem a descartar lixo do jeito certo”, explicou Fernando ao G1.

O desenvolvimento de um app paras celulares, tablets e computadores foi visto como uma forma acessível tanto aos desenvolvedores quanto aos usuários da tecnologia. O mote foi a conscientização por meio da informação.

Por meio de tecnologia do Google Maps, serviço de pesquisa e visualização de mapas e imagens de satélite, o aplicativo mostra onde e como fazer o descarte em Divinópolis e outras cidades da região. Também dá dicas de sustentabilidade, com orientações sobre como ter uma vida mais saudável em casa e nas empresas.

“São hábitos cujo resultado pode ser considerado pequeno quando praticado por uma única pessoa. Mas, se adotado em grande escala, gera muita diferença”, acrescentou.

A iniciativa foi exposta ao público pela primeira vez no ano passado, durante uma feira de ciências na própria escola, onde conquistou o primeiro lugar. “Com isso, sentimos uma necessidade de continuar o projeto e levá-lo cada vez mais longe”, contou.

Federal – O próximo passo foi inscrever o projeto na Feira de Ciências da Federal de Viçosa em 2016, onde os estudantes e os dois orientadores repetiram o topo do pódio. “Isso rendeu a nós uma credencial internacional e uma bolsa de iniciação científica”, detalhou Fernando.

A nova conquista deu novo gás ao grupo. “Ficamos ainda mais animados. Desde então já lançamos várias atualizações e hoje a ferramenta é disponibilizada para download gratuito na Play Store, onde qualquer usuário do sistema operacional Android pode adquirir”.

Nacional – Já neste ano de 2017 os estudantes correram atrás de apoio financeiro para apresentar a criação na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) da Universidade de São Paulo (USP). Somando ajudas obtidas com parentes, amigos e órgãos públicos, eles conseguiram se apresentar no evento, que ocorreu de 20 a 24 de março na Universidade de São Paulo (USP).

“Não ficamos entre os três melhores, mas foi uma experiência muito boa, que nos proporcionou muito. Foi muito proveitoso, porque mostramos do que somos capazes por meio do nosso crescimento. Saímos de lá renovados e dispostos a continuar com projeto, inclusive com novas ideias para ele”, relatou o desenvolvedor.

Internacional – No dia 3 de abril, Fernando recebeu um e-mail da Rede do Programa de Olimpíadas do Conhecimento (POC), agência privada brasileira de estímulo à pesquisa científica e tecnológica entre escolas. Ela credencia, no Brasil, estudantes a apresentarem projetos em outros países.

“Esse e-mail dizia que graças ao nosso desempenho na Febrace, tínhamos sido indicados e credenciados a expor nosso projeto na Feira de Ciências do Equador, que é considerada a maior da América Latina”, contou.

Os cinco integrantes do projeto fizeram levantamentos e cálculos de quanto dinheiro precisariam para levar o “EcoApp” para além das fronteiras brasileiras. “Tem uma taxa obrigatória para cada integrante, mais a passagem. Estimamos que tudo fique em mais ou menos R$ 4,9 mil por pessoa”.

Esse investimento inclui todos os gastos básicos da feira, como a montagem do estande, a alimentação e o hotel. Um roteiro turístico vem de bônus. “Para que nós cinco conseguíssemos ir, precisamos de algo em torno de R$ 24 mil”, acrescentou Fernando.

Além de batalhar grana com parentes, amigos e outros conhecidos, o quinteto de cientistas encaminhou ofícios a alguns órgãos públicos e também a políticos, em busca de patrocínios.

O grupo conseguiu captar o recurso necessário. O evento no Equador acontece desta quinta-feira (20) a domingo (23). “Não vamos representar apenas Divinópolis ou Minas Gerais. Vamos representar o Brasil lá fora. Precisamos de ajuda para isso”, desabafou Fernando. (Fonte: G1)

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