
Os pesquisadores recuperaram um tesouro de artefatos da Primeira Guerra Mundial de um abrigo em caverna no norte da Itália, revelado pelo derretimento de uma geleira.
Durante a guerra, a caverna abrigou 20 soldados austríacos alocados no Monte Scorluzzo na frente alpina, perto da famosa passagem de Stelvio, disse o historiador Stefano Morosini à CNN na terça-feira.
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Embora as pessoas soubessem da existência do abrigo, os pesquisadores só puderam entrar nele em 2017, porque a geleira ao redor havia derretido, acrescentou Morosini, que é coordenador científico do projeto de patrimônio do Parque Nacional Stelvio e professor da Universidade de Bérgamo.
Lá dentro encontraram comida, pratos e jaquetas feitas de peles de animais, entre muitos outros itens, disse ele.

Os artefatos ilustram o “cotidiano muito pobre” dos soldados, que tiveram que lidar com “condições ambientais extremas”, disse Morosini. As temperaturas do inverno podem cair para -40 graus Celsius, acrescentou.
“Os soldados tiveram que lutar contra o ambiente extremo, lutar contra a neve ou as avalanches, mas também lutar contra o inimigo”, disse Morosini.
“Os artefatos são uma representação, como uma máquina do tempo, das condições extremas de vida durante a Primeira Guerra Mundial”, disse ele, acrescentando que mais itens aparecem na área a cada verão, conforme a geleira derrete.
“É uma espécie de museu a céu aberto”, disse Morosini, referindo que há cinco anos foram encontrados os corpos de dois soldados, juntamente com documentos que permitiram a sua identificação e a entrega dos seus restos mortais aos seus familiares.


Os artefatos do abrigo da caverna estão sendo preservados e farão parte da coleção, com inauguração prevista para o final de 2022, em um museu dedicado à Primeira Guerra Mundial na cidade de Bormio, no norte da Itália, disse Morosini.
O abrigo foi ocupado nos primeiros dias de guerra pelas tropas austríacas, que o tornaram totalmente invisível do lado italiano ou de observação aérea, segundo nota do Museu da Guerra Branca, localizado em Adamello, norte da Itália.
Fica a uma altitude de 3.094 metros, logo abaixo do pico do Monte Scorluzzo, e trabalhos de escavação têm sido realizados em julho e agosto desde 2017, removendo cerca de 60 metros cúbicos de gelo da caverna.

Foram recuperados 300 objetos, entre colchões de palha, moedas, capacetes, munições e jornais.
“As descobertas na caverna do Monte Scorluzzo nos dão, depois de mais de cem anos, uma fatia da vida a mais de 3.000 metros acima do nível do mar, onde o tempo parou em 3 de novembro de 1918, quando o último soldado austríaco fechou a porta e desceu apressado,” diz o comunicado de imprensa do museu.
Hada Messia, da CNN, contribuiu para este relatório.
Fonte: CNN / Jack Guy e Livia Borghese
Tradução: Redação Ambientebrasil / Maria Beatriz Ayello Leite
Para ler a reportagem original em inglês acesse: https://edition.cnn.com/2021/05/04/europe/italy-melting-glacier-war-artifacts-scli-intl/index.html



