Paraty/RJ protesta contra despejo de resíduos no litoral

Cerca de 500 pessoas percorreram, no domingo (24) à tarde, as principais ruas do Centro Histórico de Paraty – a 236 quilômetros do Rio de Janeiro – em protesto contra o bota-fora da dragagem do estaleiro Brasfels (antigo Verolme) a 26 milhas do litoral de Angra dos Reis. Com faixas, cartazes e bonecos gigantes usados em desfiles carnavalescos, os manifestantes chamaram a atenção de turistas e moradores para que o depósito do material seja feito a 31 milhas.

“Não somos contra a dragagem, mas os pontos A (Baía de Ilha Grande) e B (Ilha dos Meros) estão dentro do território de Paraty. Não podemos concordar com isso porque dependemos do meio ambiente”, observou o prefeito de Paraty, José Carlos Porto (PTB), que participou da passeata. Segundo ele, o turismo e a pesca, que representam 70% das atividades econômicas da região, seriam as maiores prejudicadas com o depósito do material sedimentado a 12 e 26 milhas de distância do estaleiro Brasfels.

Prevista para começar em agosto – de acordo com o cronograma da Brasfels -, a obra vai remover 520 mil metros cúbicos de sedimentação (areia, argila e silte), o equivalente a 628 hectares de solo marinho ou a uma área em terra firme de 6,28 milhões de metros quadrados, para permitir que a P-52 retorne ao estaleiro já com o casco, antes de entrar na última fase de construção.

A Brasfels estuda a transferência da última etapa de construção do estaleiro para a Baía de Guanabara, onde seria montado um off-shore contratando mão-de-obra qualificada do Rio e de Niterói. Para comerciantes e comerciários de Angra a decisão poderia trazer sérias conseqüências, aumentando o desemprego no setor, que depende diretamente dos portuários, principais consumidores. (JB Online)